a um amigo que se foi, que me foi.

19 dezembro, 2011

oh “sombra do passado”,
tua redundância, lugar-comum
onde me queres por escrito
para lápide assinalada, para farol do deserto
no descampado da página
da relva da pauta
brotaste, cemitérico obelisco:
teu nome, tua estrela, tua cruz inscrita
projetados para cima
, de onde não vieste
, lá para onde não te sabes
o agora
sombreado no abraço da terra.

quisera decompor-me
também
mas sobre ti.
ser visita assim, em conformidade
com o que agora te fizeste:
um para sempre
cama do silêncio.

todo certeza.

todo espera:

porque te calaram a voz,
ensinaste as saudades a cantar.

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