Grounded flâneur com um cálice de vinho na mão
8 Novembro, 2009
Decadente por estilo
Pragmático peristilo
Anfiteatro de símios acadêmicos a rodar
Vou te dizendo que sim que sei
Absurdidos inverdades são ciência
Faço teoremas de até quandos
Arrumando a casa depois de outra noitada acordado
Com aqueles dois amigos de até quando
a noite acaba quando o poste se apaga
ou quando já desisti de dormir
meu sono é uma insônia
meu sono é uma insânia
ctrl+s pra salvar o não-porque
do deserto da insônia,
tentando definir o que eu sinto
sou pintor pateta revivendo sem talento
Akiresu to kame (ave Kosawa)
delírios solitários sem figura
num mar de absintomuito porque sinto
ctrl+s pra salvar o não-porque
(e se o texto escrito terminar aqui, não é porque acabou,
mas porque não salvei o depois
, porque o depois não se salva o depois é o que resta
do resto que não se arrestou)
ctrl+s pra salvar o não-porque
meus momentos comigo
são instantes subjectivos
naufragando na fumaça desdita
dos cigarros de outrem:
no sopro volátil do outro
o meu ninguém
ctrl+s pra salvar o não-porque
e agora te escrevo, te escrevo
para teus olhos de tatear conjecturas
- olhos de tatear conjecturas as palavras aqui ad-vertem:
se bossanovas a calçada de ipanema se
choracantas hoje o lirismeio do poema:
cala teu copo de vinho: va ler o jornal.
adia a azia de futuramente ver-te
um pateta preguiçoso diante da tentativa materna
do texto que se pretende textar
ctrl+s pra salvar o não-porque
ah, vai dar nomes aos bois doidos que pastam em ti!
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(e pensava nissos pra título:)
sobre afogar-se e viver
no oceano do discurso:
um texto sobre a falência do dizer